
Descai o sol, risonho,
empunhando tições em chamas.
No relógio
o ponteiro, enérgico,
estende-se – braço
apontando o horizonte:
mostrará algum prodígio,
algum desastre, algum demônio?
O verde escorre das árvores,
a sombra quase queima.
No céu o sol maneja o seu tridente
atiçador de chamas,
ruivo demônio:
e vibra a luz,
e os pássaros se calam,
e no campo azul,
tal como Joana d’Arc no seu poste
arde o demônio alegremente.
Péricles Eugênio da Silva Ramos
in A Noite da Memória
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