
(Sibelius Monument)(Helsinki-Finlândia)
Doces figuras do parque,
De velho mármore enegrecido,
Vazio o olhar e o nariz partido,
E sempre à chuva e ao sol... doces figuras do parque!
Que éreis então? No dístico, se havia,
Que lia outrora, se antes do embarque
Para Citera, a vós o olhar rendia,
À beira lago, a loira Infanta? Que seria,
Doces figuras do parque?
Pois este braço, sem antebraço,
Se bem que as roupas já não abarque,
Um gesto lânguido de cansaço
Guarda, e parece que o manto escasso
- Doce figura do parque! -
Serenamente cai do ombro lasso...
Nada, neste jardim,
Que o tempo, enfim, de suas mãos não marque.
Vós éreis assim
Já antes, e sereis depois de mim...
Doces figuras do parque!
Cabral do Nascimento
(in «Descaminho», 1969)
(1897-1978)
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