segunda-feira, 18 de abril de 2011

NOTURNO...



No silêncio da noite, em que a treva parece
um bálsamo de amor, de paz, de esquecimento,
mal se consegue ouvir o dorido lamento
do mar, que diz baixinho a sua eterna prece.

Passa tão devagar a carícia do vento
que nem mesmo o arvoredo, ao de leve, estremece.
Das estrelas a luz, meio apagada desce...
Desce dos amplos céus um torpor sonolento.

Um barquinho que vai cruzando ao longe, acesa
a lanterna, que a vaga, ora mostra, ora esconde,
parece um vagalume.E uma imensa tristeza.

vem dessa pobre luz, por cuja incerta sorte
só o capricho feroz do mar é que responde,
e que luta,cruel, para a apagar, a Morte.


Medeiros e Albuquerque
In Fim (1922)

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